Advogado lança livro de crônicas sobre vivência com a cidade natal: Ji-Paraná, RO

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Advogado lança livro de crônicas sobre vivência com a cidade natal: Ji-Paraná, RO
Advogado lança livro de crônicas sobre vivência com a cidade natal: Ji-Paraná, RO

Livro Lá do Outro Lado tem crônicas sobre vivência em Ji-Paraná, RO (Foto: Gustavo Rebouças/Rede Amazônica)Julian Cuadal é um advogado jiparanaense que contou sua relação com a cidade em um livro de crônicas sobre o cotidiano na cidade, que foi lançado este ano. ‘Lá do Outro Lado’ tem 33 crônicas que relatam, de uma forma auto psicológica, a relação do escritor com a cidade onde nasceu, Ji-Paraná (RO), a cerca de 370 quilômetros de Porto Velho.

Cuadal conta que a ideia de escrever um livro começou como uma brincadeira entre os anos de 2013 e 2014. Primeiro, escreveu uma crônica e gostou da ideia. Depois, novos textos foram surgindo e o advogado viu uma possibilidade de escrever novas e, quem sabe, fazer um livro.

“Veio a ideia. Imaginando que, por ser uma brincadeira, uma crônica de coisas amenas, o livro também seria ameno. Mas, na realidade não foi bem assim”, conta o escritor.

A partir daí começou uma grande batalha psicológica do autor contra ele mesmo. Entre a criação de uma crônica e outra, o autor criou um personagem completamente jiparanaense, que conta histórias de situações do dia-a-dia da população que são engraçadas ou psicológicas e até mesmo mais densas, entretanto, de uma maneira leve.

Com o passar do tempo, o autor conta que incorporou um pouco dele mesmo no personagem das crônicas, mesmo que a ideia inicial fosse se distanciar o máximo possível, até mesmo para não se expor no livro.

“Mas no final não foi bem assim. Deu justamente o contrário. Foi uma grande exposição de mim mesmo e eu acabei expondo os vários lados psicológicos que habitam dentro de mim”, relata o autor.

Por ser uma pessoa muito restrita, ele conta que é uma sensação estranha e ainda se assusta com a ideia de saber que o que as pessoas estão lendo é, basicamente tudo sobre ele e sua relação com Ji-Paraná. Julian afirma que é uma sensação angustiante imaginar qual a análise será feita a respeito dele pelos leitores.

Livro Lá do Outro Lado tem crônicas sobre vivência em Ji-Paraná, RO (Foto: Gustavo Rebouças/Rede Amazônica)Livro Lá do Outro Lado tem crônicas sobre vivência em Ji-Paraná, RO (Foto: Gustavo Rebouças/Rede Amazônica)

Livro Lá do Outro Lado tem crônicas sobre vivência em Ji-Paraná, RO (Foto: Gustavo Rebouças/Rede Amazônica)

A relação de amor com Ji-Paraná

O autor é nascido em Ji-Paraná e conta que foi embora da cidade aos 16 anos, quando ficou 10 anos fora. Ele explica que a relação com a cidade natal era muito forte e pouco tempo antes de voltar, percebeu que a ligação era mais intensa do que ele já tinha imaginado.

“Eu criei um relação com Ji-Paraná como se fosse homem e mulher. Muitas vezes eu achava que estava traindo Ji-Paraná por estar em outra cidade e estar gostando muito da outra cidade. Às vezes, psicologicamente eu acalmava Ji-Paraná: ‘não fica assim, você também é muito bonita em muitos aspectos’”, diz o autor.

Para ele, mesmo que a cidade tenha deficiências, é muito querida e acolhedora, com características únicas. O resultado desse amor é o livro. “Ji-Paraná se intrometeu nas minhas crônicas, sem aviso e sem pedir. (…) Eu a amo de paixão e tive que descobrir isso, no meio de um livro”, conta.

Livro Lá do Outro Lado tem crônicas sobre vivência em Ji-Paraná, RO (Foto: Gustavo Rebouças/Rede Amazônica)Livro Lá do Outro Lado tem crônicas sobre vivência em Ji-Paraná, RO (Foto: Gustavo Rebouças/Rede Amazônica)

Livro Lá do Outro Lado tem crônicas sobre vivência em Ji-Paraná, RO (Foto: Gustavo Rebouças/Rede Amazônica)

O nome do livro

No início, sem muitas ideias de qual nome daria ao livro, Julian já tinha decidido que ao terminar, escolheria o nome de uma das crônicas para intitular a obra. Até então, o livro se chama ‘Garrafas Vazias’, uma das crônicas que o autor mais gosta. Mas revendo os conceitos, percebeu que não era bem isso que ele queria.

O Rio Machado divide a cidade em dois distritos: 1º e 2º. Os distritos são chamados de lados (do rio): Lado de cá (onde a pessoa está) e do outro lado. Ou seja, se a pessoa está no 1º Distrito, o outro lado é o 2º Distrito. Caso contrário, se ela está no 2º o outro lado é o 1º.

O autor conta que estava em um dia comum, quando ouviu uma pessoa falando: é lá do outro lado. “Para quem não é daqui, talvez seja estranho, mas quem é jiparanaense, sem se dar conta fala ‘lá do outro lado’ e faz dessa expressão, talvez, a nossa expressão mais característica”, conta.

Para homenagear a cidade, o autor deu o nome ao livro de ‘Lá do Outro Lado’. “O livro, sem querer, acabou se tratando de questões auto psicológicas minhas, na minha cidade. Imaginei que seria uma bela homenagem colocar a expressão mais jiparanaense de todas como a capa e nome do livro”, finaliza o autor.

Por Pâmela Fernandes, G1 Ji-Paraná e Região Central